OBESIDADE INFANTIL X EXERCÍCIOS CONTRA RESISTIDOS (MUSCULAÇÃO)
Olá amigos, hoje iremos abordar
um assunto que vêm preocupando pais e médicos, profissionais de educação física
e nutrição. Trata-se da obesidade e do sedentarismo na infância e adolescência que
acomete cada dia mais esse público não somente no Brasil mas em todo o resto do
mundo. As soluções apresentadas para esse problema passam por uma questão que
analisaremos isoladamente (musculação), lembrando que para sanarmos o problema
que aflige a todos nós, será preciso observarmos vários fatores como: hábitos
alimentares da família, aspectos psicológicos e sedentarismo.
As estatísticas, segundo o IBGE,
apresentam um resultado alarmante sobre uma pesquisa publicada sobre o período
que compreende 2008 a 2009. Nesse período concluiu-se que de 20 anos até essa
data, os casos de obesidade infantil no Brasil (faixa etária de 5 a 9 anos)
mais do que quadruplicou, chegando a um aumento de 16,6% entre os meninos e
11,8 entre meninas. Não só a obesidade aumentou, mais num nível um pouco mais
abaixo, observou-se que o sobrepeso aumentou entre os jovens de 10 a 19 anos em
20%. Veja o que o G1 publicou em março deste ano...
17/03/2013 22h33 - Atualizado em 17/03/2013 22h33
Uma em cada três crianças
está acima do peso no Brasil
Em 1989, apenas 13% dos brasileiros de 5 a 9 anos
tinham mais gordura no corpo do que deveriam. Hoje número é proporcionalmente
igual ao dos EUA (33% da população infantil).
Bem, então, uma em cada três
crianças está acima do peso.
Nossa abordagem visa esclarecer alguns mitos e
verdades sobre os exercícios com pesos para crianças e os benefícios que a
atividade pode trazer para a saúde mental e física dos praticantes mirins.
Em primeiro lugar, devemos
atentar para uma questão primordial; a segurança do praticante. Todos sabemos
que o sistema locomotor imaturo não está preparado para grandes esforços, e que o processo de desenvolvimento geral
do organismo pode ser afetado por atividade
física extenuante. No entanto, não nos prenderemos a esse aspecto uma
vez que temos diversas literaturas muito bem conduzidas sobre o assunto pesos
(Falk & Tenenbaum, 1996; Rians et al, 1987; Risser, 1990; Servedio et al,
1985; Sewall & Micheli, 1990; Webb, 1990).Outro aspecto a ser analizado, é
a relevância dos possíveis benefícios do treinamento de força para a criança.
Conhecemos bem o que a musculação
pode proporcionar para os adultos (o aumento da massa muscular e redução da
gordura com consequente modelagem do corpo; o aprimoramento do desempenho
físico visando competições esportivas; o combate ao sedentarismo e consequente
promoção da saúde geral; lazer e convivência social; exercícios terapêuticos
para várias afecções músculo-esqueléticas; reabilitação física).
Sim, mas se o aumento da massa
muscular em crianças é bem pequena, como a musculação poderia ajudar crianças
acima do peso a emagrecerem?
Fato é que não só a diminuição de
peso ocorre em crianças praticantes dessa atividade, como também os riscos associados à doenças inerentes ao
sobrepeso e a obesisdade. Os exercícios resistidos são os mais indicados para o
treinamento de força, e dentre eles, os exercícios com pesos são os mais
utilizados em todo o mundo. As barras e halteres constituem o equipamento
convencional da ginástica com pesos e são os mais usados também para o
treinamento de crianças, visto que os aparelhos mais elaborados são
dimensionados para pessoas adultas. A conclusão geral da análise desses trabalhos é que os riscos para a
saúde da criança são mínimos. Isto se deve a que os exercícios com pesos podem
ser facilmente adaptados às necessidades de cada praticante. A imagem de uma
criança com a respiração bloqueada empurrando um peso em contração muscular
isométrica não existe no treinamento bem orientado. Os exercícios são
isotônicos, os movimentos respiratórios são relativamente livres, as amplitudes
dos exercícios adequadas à flexibilidade do praticante, e as cargas adequadas à
força do indivíduo de tal maneira que várias repetições sejam possíveis antes da
fadiga muscular. Também não existem acelerações e desacelerações violentas dos
movimentos, não existem torções dos diversos seguimentos do corpo em exercício,
e a possibilidade de choques entre praticantes e quedas é inexistente. Assim
sendo, as sobrecargas sobre o aparelho locomotor são em nível de estímulo ao
fortalecimento, com grande margem de segurança com relação aos níveis críticos
para a integridade dos músculos, tendões, ligamentos, cartilagens e ossos. As hipóteses de que os
exercícios com pesos poderiam esmagar ossos, lesar placas de crescimento e
romper estruturas conjuntivas, provavelmente levantadas a partir de observações
traumatológicas gerais, não foram confirmadas em trabalho científicos. As sobrecargas para o sistema
cardiocirculatório nos exercícios resistidos de alta intensidade são inferiores
às dos exercícios contínuos de média intensidade, não havendo razões para
imaginar efeitos indesejáveis para crianças em treinamento com pesos. Estudos
com adolescentes hipertensos documentaram redução da pressão arterial de
repouso. Um aspecto teoricamente favorável em
relação ao treinamento com pesos para crianças é que os exercícios resistidos
estão entre as atividades físicas que mais estimulam a liberação do hormônio do
crescimento e hormônios gonadotrópicos pela hipófise. Todo tipo
de exercício físico para crianças deve ser realizado com prudência com relação
ao desgaste excessivo produzido por grandes volumes de treinamento, o que teoricamente
poderia prejudicar o bom desenvolvimento do organismo. Fato é, que os
exercícios contra resistidos (com pesos), são comumente pouco atrativos para
crianças, o que torna sua prática pouco procurada, mas em trabalhos lúdicos bem
planejados, crianças podem se beneficiar do treinamento, melhorando sua coordenação,
resistência, equilíbrio e força de maneira divertida e atraente aos olhos dos
pequeninos.
Conclusivamente, podemos observar
que qualquer exercício excessivo nessa fase pode ser prejudicial ao organismo
da criança, seja numa escolinha de futebol, natação, dança ou numa sala de
musculação.
Referências bibliográficas:
Falk B,
Tenenbaum G. The effectiveness of resistance training in children. A
meta-analysis. Sports Med,
22:3, 176-86, 1996.
Rians CB,
Weltman A, Cahill BR, et al. Strength training for pré-pubescent males: is it
safe? Am J Sports Med,
15(5): 483-489,1987.
Risser
WL. Musculoskeletal injuries caused by weight training - guidelines for
prevention. Clinical
Pediatrics, 29(6):305-310,1990.
Servedio
FJ, Bartels RL, Hamlin RL. The effects of weigth training using Olimpic style
lifts on various physiologic variables in pré-pubescent boys. Med Sci Sports Exerc, 17: 288,
1985.
Sewall L,
Micheli LJ. Strength training for children J
Pediatr Orthop, 6: 143-146, 1986.
Webb DR.
Strength training in children and adolescents. Pediatri Clin North Am,
37(5):1187-1210, 1990.
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