quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Coluna do Personal - Obesidade Infantil


OBESIDADE INFANTIL X EXERCÍCIOS CONTRA RESISTIDOS (MUSCULAÇÃO)

Olá amigos, hoje iremos abordar um assunto que vêm preocupando pais e médicos, profissionais de educação física e nutrição. Trata-se da obesidade e do sedentarismo na infância e adolescência que acomete cada dia mais esse público não somente no Brasil mas em todo o resto do mundo. As soluções apresentadas para esse problema passam por uma questão que analisaremos isoladamente (musculação), lembrando que para sanarmos o problema que aflige a todos nós, será preciso observarmos vários fatores como: hábitos alimentares da família, aspectos psicológicos e sedentarismo.

As estatísticas, segundo o IBGE, apresentam um resultado alarmante sobre uma pesquisa publicada sobre o período que compreende 2008 a 2009. Nesse período concluiu-se que de 20 anos até essa data, os casos de obesidade infantil no Brasil (faixa etária de 5 a 9 anos) mais do que quadruplicou, chegando a um aumento de 16,6% entre os meninos e 11,8 entre meninas. Não só a obesidade aumentou, mais num nível um pouco mais abaixo, observou-se que o sobrepeso aumentou entre os jovens de 10 a 19 anos em 20%. Veja o que o G1 publicou em março deste ano...

17/03/2013 22h33 - Atualizado em 17/03/2013 22h33

Uma em cada três crianças está acima do peso no Brasil

Em 1989, apenas 13% dos brasileiros de 5 a 9 anos tinham mais gordura no corpo do que deveriam. Hoje número é proporcionalmente igual ao dos EUA (33% da população infantil).

 

Bem, então, uma em cada três crianças está acima do peso.

 Nossa abordagem visa esclarecer alguns mitos e verdades sobre os exercícios com pesos para crianças e os benefícios que a atividade pode trazer para a saúde mental e física dos praticantes mirins.

Em primeiro lugar, devemos atentar para uma questão primordial; a segurança do praticante. Todos sabemos que o sistema locomotor imaturo não está preparado para grandes esforços, e que o processo de desenvolvimento geral do organismo pode ser afetado por atividade física extenuante. No entanto, não nos prenderemos a esse aspecto uma vez que temos diversas literaturas muito bem conduzidas sobre o assunto pesos (Falk & Tenenbaum, 1996; Rians et al, 1987; Risser, 1990; Servedio et al, 1985; Sewall & Micheli, 1990; Webb, 1990).Outro aspecto a ser analizado, é a relevância dos possíveis benefícios do treinamento de força para a criança.

Conhecemos bem o que a musculação pode proporcionar para os adultos (o aumento da massa muscular e redução da gordura com consequente modelagem do corpo; o aprimoramento do desempenho físico visando competições esportivas; o combate ao sedentarismo e consequente promoção da saúde geral; lazer e convivência social; exercícios terapêuticos para várias afecções músculo-esqueléticas; reabilitação física).

Sim, mas se o aumento da massa muscular em crianças é bem pequena, como a musculação poderia ajudar crianças acima do peso a emagrecerem?

Fato é que não só a diminuição de peso ocorre em crianças praticantes dessa atividade, como também  os riscos associados à doenças inerentes ao sobrepeso e a obesisdade. Os exercícios resistidos são os mais indicados para o treinamento de força, e dentre eles, os exercícios com pesos são os mais utilizados em todo o mundo. As barras e halteres constituem o equipamento convencional da ginástica com pesos e são os mais usados também para o treinamento de crianças, visto que os aparelhos mais elaborados são dimensionados para pessoas adultas. A conclusão geral da análise desses trabalhos é que os riscos para a saúde da criança são mínimos. Isto se deve a que os exercícios com pesos podem ser facilmente adaptados às necessidades de cada praticante. A imagem de uma criança com a respiração bloqueada empurrando um peso em contração muscular isométrica não existe no treinamento bem orientado. Os exercícios são isotônicos, os movimentos respiratórios são relativamente livres, as amplitudes dos exercícios adequadas à flexibilidade do praticante, e as cargas adequadas à força do indivíduo de tal maneira que várias repetições sejam possíveis antes da fadiga muscular. Também não existem acelerações e desacelerações violentas dos movimentos, não existem torções dos diversos seguimentos do corpo em exercício, e a possibilidade de choques entre praticantes e quedas é inexistente. Assim sendo, as sobrecargas sobre o aparelho locomotor são em nível de estímulo ao fortalecimento, com grande margem de segurança com relação aos níveis críticos para a integridade dos músculos, tendões, ligamentos, cartilagens e ossos. As hipóteses de que os exercícios com pesos poderiam esmagar ossos, lesar placas de crescimento e romper estruturas conjuntivas, provavelmente levantadas a partir de observações traumatológicas gerais, não foram confirmadas em trabalho científicos. As sobrecargas para o sistema cardiocirculatório nos exercícios resistidos de alta intensidade são inferiores às dos exercícios contínuos de média intensidade, não havendo razões para imaginar efeitos indesejáveis para crianças em treinamento com pesos. Estudos com adolescentes hipertensos documentaram redução da pressão arterial de repouso. Um aspecto teoricamente favorável em relação ao treinamento com pesos para crianças é que os exercícios resistidos estão entre as atividades físicas que mais estimulam a liberação do hormônio do crescimento e hormônios gonadotrópicos pela hipófise. Todo tipo de exercício físico para crianças deve ser realizado com prudência com relação ao desgaste excessivo produzido por grandes volumes de treinamento, o que teoricamente poderia prejudicar o bom desenvolvimento do organismo. Fato é, que os exercícios contra resistidos (com pesos), são comumente pouco atrativos para crianças, o que torna sua prática pouco procurada, mas em trabalhos lúdicos bem planejados, crianças podem se beneficiar do treinamento, melhorando sua coordenação, resistência, equilíbrio e força de maneira divertida e atraente aos olhos dos pequeninos.

Conclusivamente, podemos observar que qualquer exercício excessivo nessa fase pode ser prejudicial ao organismo da criança, seja numa escolinha de futebol, natação, dança ou numa sala de musculação.

Referências bibliográficas:

Falk B, Tenenbaum G. The effectiveness of resistance training in children. A meta-analysis. Sports Med, 22:3, 176-86, 1996.

Rians CB, Weltman A, Cahill BR, et al. Strength training for pré-pubescent males: is it safe? Am J Sports Med, 15(5): 483-489,1987.

Risser WL. Musculoskeletal injuries caused by weight training - guidelines for prevention. Clinical Pediatrics, 29(6):305-310,1990.

Servedio FJ, Bartels RL, Hamlin RL. The effects of weigth training using Olimpic style lifts on various physiologic variables in pré-pubescent boys. Med Sci Sports Exerc, 17: 288, 1985.

Sewall L, Micheli LJ. Strength training for children J Pediatr Orthop, 6: 143-146, 1986.

Webb DR. Strength training in children and adolescents. Pediatri Clin North Am, 37(5):1187-1210, 1990.


 Emerson Mondego (CREF 003931-RJ)
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